sábado, 29 de agosto de 2009

HOMEM TULIPA II

Com o GUIA DE SOBREVIVENCIA DO BEBUM.

Hoje totalmente regenerado e com o fígado dando graças a Deus, pela falta de álcool no sangue ou será pelo excesso de sangue na minha corrente alcoólica. Não importa, pela total experiência que adquiri como freqüentador de butecos “pés sujos” das cidades que reside, expresso aqui a minha opinião sobre este lugar que é o ponto de encontro dos amigos, dos inimigos e das pessoas que possuem um santo bebum como protetor e que descobrem no álcool (ou no chopinho de fim de tarde) que a água contamina o sangue e que o chopp limpa, purifica e filtra o fígado.
As mulheres que me desculpem, mas o ponto de encontro dos maridos e homens estressados, depois de um dia de trabalho estressante, não é o divã de um psicólogo, também não é um programa com a esposa e sim uma tarde de chopp com os amigos, onde falam de futebol, das mulheres às vezes da política.
Mas a pergunta é porque parar? Porque aos 37 anos de idade resolver limpar o fígado e restabelecer a cor do seu sangue, tirando a cor amarelada (de tanto chopp) de sua corrente sanguínea? Talvez seja por que a saúde começou a dar sinais de que a morte estará mais perto se não for tomadas medidas drásticas, ai bate o medo de que do outro lado não tenha nenhuma tulipa de chopp o esperando, então para acostumar com esta idéia é melhor treinar em vida do que em morte.
Tudo começou aos 14 anos de idade, são mais de 23 anos de chopp, cerveja, vodka, martini, run, conhaque, vinho, pinga, entre outras bebidas o sangue ficou embriagado e com uma porcentagem de álcool em excesso. Com toda está vivência de bar em bar, gostaria de proporcionar aos meus leitores um breve GUIA DE SOBREVIVÊNCIA DO BEBUM PROFISSIONAL, não poderá de forma alguma ser usado por um amador, caso contrario o mesmo colocará a sua vida em risco, podendo antecipar a sua hora e partir para o andar de cima ou de baixo, nunca se sabe.

GUIA DE SOBREVIVÊNCIA DO BEBUM PROFISSIONAL:

1) Saber achar o buteco adequado.
Como disse Lavoisier: “DA QUANTIDADE BUSCAR A QUALIDADE”. Freqüentar os butecos da cidade sem preconceito, às vezes atrás de um buteco “pé sujo”, está um lugar aconchegante, acolhedor, com tira gosta de primeira, atendimento personalizado e principalmente com uma cerva ou chopp estupidamente gelada.

2) Local do buteco.
Escolher o buteco de preferência perto de sua casa, assim a sua esposa (caso seja casado) possa te ver da janela da sua sala, sem precisar utilizar o telefone, deste modo irá fazer economia não precisando ligar no seu celular para saber onde você está.

3) Liberdade de ação.
Escolher um buteco, que faça você sentir como se estivesse na cozinha de sua casa, onde exista liberdade de abrir o freezer e tirar a cerveja. Nunca assente em cadeiras, é bom usar o balcão daqueles que dá calos no cotovelo, assim você fica perto do tira gosto e da cerveja.

4) Amizade com o dono.
Fique amigo do dono do bar, mas amigo mesmo. Porque ele será seu anjo da guarda, as vezes seu manobrista, seu psicólogo e algumas vezes seu banco.

5) Confie no dono do bar.
Use sempre a caderneta de pregos do bar (fiado) e confie de verdade no dono do buteco, por que muitas vezes você sairá tropeçando nos próprios pés e sem condições de contar o dinheiro muito menos fazer um cheque. Se houver possibilidade pague sempre adiantado e faça uma poupança no bar, assim sempre que você estiver em situações de extremo alcoólico o seu amigo (dono do butequim) fará um desconto na sua poupança do bar.

6) Tira gosto.
Quando estiver bebendo nunca peça de tira gosto “azeitonas”, pois ela poderá lhe fazer mal e embrulhar o estômago. Tira gosto de um bebum profissional sempre será carne (de todos os tipos), mandioca e fritas (raramente).

7) Santo de bebum.
Nunca jogue nada pro santo, ele não bebe mais. E além do mais desperdiçar bebida não é coisa de profissional.

8) Escolha dos copos.
Sempre escolhe os copos americanos (os de geléia), nunca tome em tulipas grandes se tiver que beber chopp em tulipas escolha as menores, por que assim a bebida não chega a esquentar e você acaba bebendo muito mais.

9) Mistura de bebidas.
Nunca mistura bebidas, se tomar cerveja, não beba pinga e nem wisky. E se beber wisky sempre tome muita água, para compensar o excesso de álcool. Outro detalhe quando beber cerveja nunca troque de marca se beber skol não mistura que Brahma nem antártica e vice-versa.

10) PINCIPAL.
Como no futebol, saiba a hora de parar, e se parar não volte. Mas nunca deixe de freqüentar o buteco, lá também tem água e refrigerante (por pior que seja é verdade), além de ser o ponto de encontro dos seus amigos. Lembre-se que bebida não combina com direção, então se dirigir não beba e se for beber me chame.

RMuzafir
26/02/05

domingo, 9 de agosto de 2009

PALAVRA

Cortar mais que faca
Furar mais que uma espada
Matar mais que bala.

É um gancho na direção do queixo
Ou um atropelamento sem direção.
É a derrota ao final da batalha
Ou a luta sem vencedor, apenas sangue e morte.
É a morte sem a glória.

Palavra falada
Seja escrita ou ouvida
Seja pronunciada ou transcrita

Corta mais que tesoura afiada
Fura mais que espada embrenhada
Mata mais que bala disparada.

Palavra pronunciada
Seja dita ou falada.
Escrita ou transcrita.
É a flecha arremessada
De um arco viril e certeiro

Palavras, palavras, palavras
Sentido de orações, sem rezas
Com artigos, pronomes, verbos e sujeitos
Sejam ocultos ou principais
Ë a comunicação necessária para o entendimento
Ou a discórdia ininterrupta de uma palavra dita.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Poema extraido do site: http://www.affonsoromano.com.br/pdf/poesias/coreano.pdf

OS HOMENS AMAM A GUERRA

(fragmento apenas do poema falado no Festival "World
Peace 2005, Coréia)

“Não sei com que armas os homens lutarão
na Terceira Guerra, mas na Quarta, será a pau e
pedra” –Einstein

Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Coréia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

A VIOLETA

A Rosa vermelha
Semelha
Beleza de moça vaidosa, indiscreta.
As rosas são virgens
Que em doudas vertigens
Palpitam,
Se agitam
E murcham das salas na febre inquieta.

Mas ai! Quem não sonha num trêmulo anseio
Prendê-las no seio
Saudoso o Poeta.

Camélias fulgentes,
Nitentes,
Bem como o alabastro de estátua quieta...
Primor... sem aroma!

Partida redoma!
Tesouro
Sem ouro!
Que valem sorrisos em boca indiscreta?

Perdida! Não sonha num trêmulo anseio
Prender-te no seio
Saudoso o Poeta

Bem longe da festa
Modesta
Prodígios de aroma guardando discreta
Existe da sombra,
Na Lânguida alfombra,
Medrosa,
Mimosa,
Dos anjos errantes a flor predileta

Silêncio! Consintam que em trêmulo anseio
Prendendo-a no seio
Suspire o Poeta.

Ó Filha dos ermos
Sem temos!
O casta, suave, serena Violeta
Tu és entre as flores
A flor dos amores
Que em magos
Afagos
Acalma os martírios de uma alma inquieta.

Por isso é que sonha num trêmulo anseio,
Prender-te no seio
Saudoso o Poeta!...

Castro Alves

A luz que queima


Foi-se a luz do amanhecer
Na escuridão do entardecer
Com toda nostalgia
Das lembranças do seu ser
Numa tarde fria
Nevoeiro, serração, breu, devassidão
A sombra de minha alma
Reflete o meu desejo
De ver a sua sombra
E sentir o seu calor

A luz queima
E a chama acessa sobre a mesa
Se apagou.

Onze anos sem você.

Parece que foi ontem
A noite inacabada
A notícia não escutada
E o telefone não tocado.
A perda da segurança
O sacrifício da identidade
A certeza de que terminou
A morte nós separou!

Até parece que foi ontem
O sofrimento eterno da perda
O amor confesso não dito
O gemido sussurrado no ouvido
O perfume das flores no seu planto
O choro inacabado de seus entes
O adeus sem data pra voltar
Apenas hora de partida.

Quem sabe foi mesmo ontem
Numa eternidade de lembranças
Com a certeza de que terminou
Com as lamurias do tempo que se esgotou
Sem tempo para se lamentar
Por palavras não ditas
De carinho, de amor, de orgulho...

São onze anos sem sua palavra
Sem seu afeto, sem seu amor
São onze anos sem sua sombra
Sem seu abraço, sem seu calor
São onze anos sem você: PAI.




Ricardo Muzafir – 13/06/2009